Vou pegar emprestado o bordão do meu colega de trabalho para expressar a minha atual insatisfação com o país onde moro.
Será um post mal-humorado com trechos onde todos irão concordar e trechos onde quase todos irão discordar. Tem até mesmo trechos ofensivos.
Adoro o país onde moro ao ponto de já ter recusado boas ofertas de trabalho fora dele simplesmente porque teria que deixar o único lugar do mundo onde sou um cidadão de “primeira classe”. Em qualquer outro país do mundo eu serei um cidadão de classe inferior pois não importa o bem que eu tenha feito para tal país eu nunca serei “filho legítimo” daquele lugar. País é igual a pai ou mãe: você não escolhe e tem que aceitá-lo para todo o sempre.
Mas o “jeitinho” brasileiro já está começando a me irritar. Os valores do brasileiro também estão sendo subvertidos ao extremo. A leniência, passividade, tranquilidade e preguiça brasileira passaram a ser qualidades em todas as situações. Somos atacados, humilhados, destratados, violentados e respondemos sempre com um “tudo bem” como se fizéssemos parte de um anúncio televisivo de automóveis.
Vou ilustrar com alguns fatos recentes tudo de ruim que o brasileiro tem.
Falta de educação
“Lula é vaiado durante a festa de abertura dos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro”. Essa frase (manchete?) é uma aberração brasileira.
Lula é o *Presidente da República* do nosso país. Chefe supremo da nossa república. Bem ou mal foi eleito democraticamente pelos brasileiros. Pelos brasileiros burros e pelos inteligentes, pelos pobres e pelos ricos, pelos sem-terra e pelos latifundiários.
Como Presidente, Lula, deixou de ser o ex-sindicalista, ex-presidente-do-PT, ex-torneiro-mecânico, burro-que-não-sabe-falar, etc e passou a ser um símbolo do nosso país. Podia ser o FHC, o Sarney, o Collor, não importa porque o presidente de um país é o presidente de um país.
Em um evento nacional, dentro de nossa casa, onde se deve lavar a roupa suja, seria normal e até mesmo adequado vaiá-lo para demonstrar descontentamento, mas durante a apresentação de uma festa que está sendo acompanhada por toda a américa não é educado atacar um símbolo do país com vaias.
Eu não gosto quando vejo um casal brigando na minha frente em local público porque é constrangedor pra mim e deveria ser para o casal. Eles deveriam estar brigando dentro de sua casa onde somente as partes interessadas estarão presentes.
A vaia dos cariocas teve um efeito contrário pra mim. Fiquei com “dó” do presidente. Não foi “dó” do Lula, foi do presidente. Porque é triste ver um símbolo do meu país que se esforçou (junto com governadores, prefeitos, cariocas, …) para que aquela festa acontecesse ser vaiado na abertura dela.
Aliás, o carioca anda com o “vaiador” ligado e mostrando até mesmo para outros brasileiros como eles são “educados”: vaiavam insistentemente os atletas dos EUA durante as apresentações da ginástica artística. Fosse o atleta norte-americano tão mal-educado quanto o carioca ia quebrar todos os dentes dos infelizes que vaiavam usando algumas de suas medalhas de ouro como arma. São atletas como os brasileiros, que ‘ralam’ como os brasileiros, e que estão honestamente participando de uma disputa esportiva. Não vejo onde uma vaia possa se encaixar aí.
Mas voltando à frase…
Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro… A gente não precisava disso no Brasil. Sinto muito mas os R$X bilhões gastos praquilo lá sair do papel poderiam ter sido gastos lá no Complexo de favelas do Alemão.
Construindo umas escolas grandonas daquelas com Cinema, Teatro, Piscina, Quadras Poliesportivas, Salas de Computador, Bibliotecas, Professores bem remunerados, etc. Construindo delegacias de polícia lá no meio da favela para que a segurança daquelas pessoas fosse oferecida pelo estado e não pelo crime organizado.
Poderiam urbanizar outro bom número de favelas e disponibilizar água, esgoto, luz elétrica, etc para outros tantos moradores. Daria até para construir alguns centros de treinamento de ginástica, natação, etc. para transformar o Brasil numa futura potência esportiva.
Alguma coisa boa dos jogos vai ficar? Provavelmente sim, mas poderia ficar mais, não acham?
Corrupção
A corrupção desse país nasce do povo que é representado pelos seus governantes. Eu já não aguento mais ver na imprensa os chavões: “o brasileiro é honesto, mas os políticos”, ou “alguns poucos policiais corruptos sujam a imagem de toda a corporação”, ou “existem políticos honestos, é a minoria que é corrupta”. Me poupem dessa ladainha mentirosa porque o brasileiro é um povo corrupto. Os honestos são a exceção necessária para comprovar a regra e nem mesmo eu escapo impunemente em um julgamento.
O brasileiro é aquele que paga “caixinha” para o policial numa blitz de trânsito para escapar de uma multa maior. O policial é corrompido mas a outra ponta da “negociata” também foi corrupta. É a minoria?
Responda honestamente (se é que é possível um brasileiro responder assim): Você tem um carro que custou caro. É parado numa blitz e o guarda diz que vai guinchá-lo por causa do documento vencido a 1 dia. Mas antes ele te pergunta: “você poderia dar uma ‘ajudinha de custo’ aí?”. Você responderia “Pode guinchar o carro, eu estou errado”?
Mas o pior mesmo é que todo brasileiro justifica sua desonestidade com a desonestidade do vizinho! Preste atenção: todo cara que agiu de má fé tem uma justificativa para tal atitude. São coisas como “os políticos roubam, por que eu não?”, “se eu não fizer outros farão”, “o cara ia guinchar meu carro porque o documento estava vencido *só* a 1 dia!”, “meu salário é uma mixaria, por isso preciso da caixinha”, …
Se os políticos roubam é porque você não o elegeu corretamente ou não fiscalizou o trabalho dele direito. Se os outros vão ser desonestos se você não for é problema deles, não? Aliás, o correto seria denunciá-los por fazerem algo ilegal. Se o teu documento está vencido ha 1 dia ou 1 ano não muda o fato dele estar vencido. Ninguém é obrigado a ficar em um emprego onde se ganha pouco. Todos são livres pra procurar um emprego que pague melhor.
Se fizerem uma pesquisa por aqui perguntando se “corruptor” e “corrompido” devem ser presos em casos de corrupção eu acho que mandariamos o “corrompido” pra cadeia.
Tem-se a ilusão de que o “corruptor” é apenas uma vítma da situação. É sempre o “coitado do trabalhador que precisa do carro com documento vencido pra trabalhar”, o “coitado do comerciante que pagou uma caixinha pra Anvisa não fechar seu restaurante sujo e nojento pois é o ‘seu ganha pão’”, o “coitado que comprou um toca-fitas roubado porque roubaram o dele”, …
Achar culpado é coisa de incompetente
Não tem santo vivo no Brasil. Entre os mortos parece que só o “Frei Galvão” e nem assim eu colocaria minha mão no fogo pela sua honestidade.
Essa bagunça toda que virou o sistema aéreo brasileiro não é culpa apenas de um (o governo). Tem culpa de *todo mundo* nesse problema.
A “cabecinha” fraca dos brasileiros já encontrou os culpados porque achar culpado é fácil. Tão fácil que no mundo do trabalho os especialistas em achar culpados são conhecidos como “incompetentes”.
A “imprença” brasileira, retrato de seu povo, é extremamente “incompetente”. Acha culpados até onde não tem crime. Algumas revistas até inventam o crime para encaixar em seus culpados. É a imprensa que o brasileiro merece.
Os culpados pelo problema aéreo estão lá. Quer que eu cite o nome? Vamos lá: Anac (governo), Infraero (governo), Aeronáutica (governo), TAM (empresa privada), Gol (empresa privada), Dona do jatinho Legacy (empresa privada), …
Ok. Agora que temos os culpados, povo brasileiro, o que faremos para resolver o problema?
Brasileiros gritam em coro: — Não sabemos!
É isso mesmo! O brasileiro não sabe resolver problemas. Porque? Porque é incompetente.
Eu não sei resolver mesmo. A única coisa que sei sobre aeronáutica é embarcar e desembarcar de um vôo. Mas será que não tem um único brasileiro que saiba resolver esses problemas? Não tem.
Conclusão
Espero terminar a minha faculdade e aperfeiçoar o meu inglês e dar o fora daqui. Se encontrar problemas por lá (e vou encontrar) ao menos serão problemas novos porque os daqui já estão velhos, podres e sem o menor sinal de que serão resolvidos.
E ao escolher o destino irei mirar em terras onde os corruptos e incompetentes sejam minoria.