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Como vocês puderam ler no meu post anterior eu fui até o Rio de Janeiro para participar da PyConBrasil 2008.

O evento estava fantástico e eu ainda tive o prazer de ficar hospedado na casa do meu velho amigo Luigi (vulgo Luiz).

Nessa minha curta permanência por lá pude conhecer a família dele: a esposa Mary e o filho Victor. Conhecia a esposa dele só por fotos e imaginei que ela seria antipática. O resultado? “Dei com os burros n’água”. Ela consegue ser mais simpática e legal que o próprio Luigi! :D

O Victor tem os mesmos trejeitos do meu filho Matheus. Apesar de ser um pouco mais novo que meu filho o Victor conversa muito mais e pronuncia as palavras muito melhor que ele. Garoto inteligente que ficou brincando de Hot Wheels e de montar quebra-cabeças comigo :)

Eu conheço o Luigi desde que nós morávamos em São José do Rio Preto e dávamos aula de programação (eu em Clipper e ele em Pascal) na falecida Microline. Lá, nessa escola, eu passei um dos períodos mais divertidos da minha vida.

Não tínhamos muito dinheiro para fazer as coisas mas mesmo assim conseguiamos colecionar HQs, jogar RPG, jogar os adventures da Lucasart, desenvolver programas de computador, ter aulas de hardware, caminhar pela linha do trem até as cidades vizinhas, montar circuitos eletrônicos, passear dentro de cavernas, fazer tour em exposição de flores (Holambra), trocar tiros de bolinhas com pistolas de brinquedo, etc, etc, etc…

O Luigi é gerente de TI de uma universidade no Rio de Janeiro (Unisuam) mas ainda reserva tempo para desenvolver os seus projetos (que inveja! :D).

Ele me apresentou o “segundo filho” dele que é um robô com seis pneus e tem uma placa mini-ITX como “cérebro”. Me falou sobre uma “motherboard” que está trabalhando a meses dentro de um recipiente com óleo mineral (ele quer fazer um cluster refrigerado com óleo mineral). Ele também me mostrou um POV (Persistence of Vision) que ele fez com o Arduino dele.

Como vocês podem ver o Luigi é o cara. Ele consegue, como poucos, ter uma inteligência acima do normal e uma capacidade de execução invejável.

Eu também fiquei feliz ao ver que eu também estou mais magrinho do que ele ;)

I Has Arduino!

Hoje de manhã chegou uma encomenda pelo correio que eu estava esperando a muito tempo: meu Arduino :)

Quando eu tinha uns 9/10 anos de idade eu adorava ‘brincar com eletrônica’ com um amigo meu que tinha uma oficina em seu quintal. Todo dia depois da aula a gente jogava Atari na minha casa e depois ia para o “laboratório” dele montar os projetos que saiam nas revistas Experiências e Brincadeiras com Eletrônica Júnior ou na Be-a-Bá da Eletrônica.

Certo dia esse amigo meu me chamou na casa dele porque ele tinha acabado de ganhar um computador. Era um MSX Expert 1.1 da Gradiente completamente sem acessórios. Quando ele ligou o computador e começaram os primeiros acordes do cartucho de demonstração (Ligue-se ao Expert) eu pensei: “É isso o que eu quero pra minha vida”.

Era exatamente um desses

O processo de programação na época era +/- assim:

10 CLS
20 ON ERROR GOTO 70
30 PRINT "DESLIGANDO O ATARI DA TV E LIGANDO O EXPERT"
40 PRINT "COPIANDO PROGRAMA DO LIVRO..."
50 PRINT "EXECUTANDO O PROGRAMA (RUN)"
60 PRINT "PARABENS! DELIGUE O COMPUTADOR E PERCA TUDO"
70 END
80 PRINT "CORRIGE OS ERROS"
90 GOTO 50
RUN

Mas não foi pra falar disso que eu criei esse post. Vamos voltar ao assunto.

Enquanto morava em Recife o Elvis Pfützenreuter me deu alguns componentes eletrônicos que ele tinha comprado para usar em uma maquete de ferromodelismo que ele tinha desistido de continuar. Isso me fez lembrar de como era bom o cheiro de solda e decidi retomar a eletrônica como Hobby.

Ainda estou aprendendo!

Assim como na computação as coisas evoluiram nos últimos anos com a eletrônica também. Então “aquela” eletrônica que eu conhecia onde a gente usava só uns transistores, uns resistores, uns capacitores, etc… se transformou em algo muito parecido com… informática!

“Brincar” com eletrônica nos dias de hoje quase sempre te levará a usar um microcontrolador, ou seja, você terá um chip programável com software para trabalhar.

E é aí que o Arduino entra na história.

O Arduino é um hardware com especificação livre e possui várias implementações diferentes mas todas elas possuem um microcontrolador Atmel instalado. Como o projeto é aberto existem diversas extensões e projetos que usam ele tal no universo do software livre.

A idéia do hardware livre é tão semelhante à do software livre que existem comunidades formadas em torno destes projetos. As idéias se intercalam também. Para ver isso basta olhar para a IDE utilizada para programar o Arduino. Usa o GCC como compilador e a IDE tem uma implementação livre feita em Java.

Se você, como eu, tem interesse nesse universo e quiser adquirir uma placa Arduino pra ‘brincar’ é só fazer uma visita no site da Symphony e comprar um. O modelo que eu tenho aqui é o de 16K:

I Haz Ardooino!

Update: Esqueci de agradecer ao Blog do Jê que é um dos “praticantes de Arduino” no Brasil e notíciou o lançamento da placa pela Symphony (que tornou a compra mais $acessível$)

Já que tá todo mundo se alugando com seus livros lidos e não-lidos eu vou fazer igual. Afinal eu sou compulsivo por comprar e ler livros (muito mais comprar do que ler).

Aí estão alguns dos meus livros lidos & não-lidos
Aí estão alguns dos meus livros lidos e não-lidos.

Não acaba por aí… tem mais esses aqui:

Mais livros lidos & não-lidos
Mais livros lidos & não-lidos.

E por último (no banheiro) o que eu estou lendo:


Na memória do eBook Reader da Sony tem uns 512MB de PDFs.

Se essa moda pega isso aqui vai ter mais propaganda que a revista Playboy :D

Mas dessa vez a campanha pode me render algum prêmio e, caso você também resolva participar, algum prêmio pra você :)

Deixando a brincadeira de lado eu vou aproveitar para dizer para os leitores desse site que o que o Augusto faz ao doar dinheiro para projetos como o Wikipedia é demonstrar o reconhecimento pelo projeto. Não é só uma questão de dinheiro (que é importante e ajuda esses projetos) mas sim uma forma dos responsáveis por tais projetos medirem os resultados dos mesmos.

Comecei esse mês a reservar uma pequena quantia em dinheiro para doar para projetos que me beneficiam de alguma maneira. Desta forma eu escolho um desses projetos e envio uma doação (ainda pequena) para ele. É fácil, não custa muito e deixa os responsáveis por tais projetos muito felizes.

Agora vamos à campanha do Efetividade.net / BR-Linux:

Ajude a sustentar a Wikipédia e outros projetos, sem colocar a mão no bolso, e concorra a um Eee PC!

…e também a pen drives, card drives, camisetas geeks, livros e mais! O BR-Linux e o Efetividade lançaram uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation e outros mantenedores de projetos que usamos no dia-a-dia on-line. Se você puder doar diretamente, ou contribuir de outra forma, são sempre melhores opções. Mas se não puder, veja as regras da promoção e participe – quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux e do Efetividade, e você ainda concorre a diversos brindes!

E não se esqueçam de escolher a Associação Python Brasil como uma das beneficiárias da doação. Como membro fundador da APyB eu garanto que lá estão os mais entusiasmados apoiadores da linguagem Python do Brasil e que esse dinheiro será usado em algum projeto interessante.

Que tipo de projeto? Organização da PyConBrasil, financiamento de projetos de tradução, suporte aos sites da comunidade Python e relacionadas no Brasil, ajuda financeira para construção de grupos regionais, financiamento de viagens de instrutores para ministrar cursos de Python, Django, Zope, Plone, … em regiões onde isso é artigo raro, etc.

Pessoal,

O meu amigo Elvis (epx) desenvolveu um simulador de HP-12C muito legal e útil no site dele e pediu pra que eu o ajudasse a divulgar esse projeto dele.

Então eu cadastrei a página dele lá no Digg e no Rec6 , que é um tipo de “Digg brasileiro”, para que vocês votem. É fácil e rápido.

Sintam-se à vontade para divulgar no blog de vocês e onde mais vocês acharem interessante.

Esse post é diferente dos outros posts que eu costumo colocar por aqui mas vocês entendem que é por uma boa razão, certo? :)

Como todos já devem saber eu não estou trabalhando mais no INdT. O que poucos devem saber é que já estou trabalhando em para outra empresa.

Quando saí do INdT o meu plano era o de encontrar um trabalho que não exigisse muito tempo para que eu pudesse levar adiante o desenvolvimento de um projeto pessoal que “me persegue” a muito tempo.

Queria também que fosse possível trabalhar em casa pois queria ver se eu conseguiria trabalhar direito nessas condições. Se teria a disciplina necessária para isso.

Esse novo trabalho me proporcionou tudo isso exceto pelo meio-expediente que ainda não foi possível colocar em prática. Espero que assim que terminar uma das tarefas grandes em que estou trabalhando o ritmo caia pela metade.

Tenho gostado bastante de trabalhar em casa e sinto falta apenas da famosa ‘pausa para o café/bate-papo com os amigos’. Quando essa vontade aperta eu dou um pulinho lá na Haxent e trabalho lá com eles (eles me emprestam uma mesa e conexão com a Internet ‘di grátis’.

Esse trabalho novo é muito semelhante ao que eu tinha no INdT e envolve muito cross-compiling, ambientes emulados e Linux igual no INdT.

Estou trabalhando no meu Mac que ainda está com o Leopard instalado (não cometi a heresia de instalar Linux/Windows num Macbook). Como eu virei usuário Mac por gosto e uso Linux por profissão comprei o VMWare Fusion que está rodando uma imagem com o Ubuntu 8.04. Ferramenta fantástica que valeu cada um dos dólares gastos.

Para concluir as notícias vou colocar aqui uma foto do meu escritório no INdT…

Meu escritório antigo…

…e uma foto do meu escritório atual…

Meu escritório novo…

…. Estou melhor ou não estou? :)

Pra variar as coisas andaram paradas por aqui, não? É que muita coisa mudou desde o último post.

A maior mudança que aconteceu foi a minha saída do INdT. Pois é, eu sou doido mesmo afinal deixei de trabalhar no melhor lugar pra se trabalhar com tecnologia no país hoje. O que eu fazia lá era massa, o ambiente era massa, o suporte do INdT era massa, os amigos que fiz por lá foram muitos… então você me pergunta: “Porque você saiu?”.

Por uma série de pequenos motivos que vão desde “eu não gostei de Recife” até “o meu plano era de ficar lá só por um período” e passando por “eu já fiz as coisas que eu queria ter feito e era o momento de dar essa chance a outra pessoa” eu achei melhor voltar para Curitiba.

Saí de lá mas continuo admirando o trabalho que eles estão fazendo e torcendo para que eles consigam criar um modelo que possa ser copiado por mais empresas de tecnologia no país.

Com minha saída do INdT eu também me mudei pra Curitiba voltando para a cidade de onde saí. Estou provisoriamente na casa da sogra :P. Em junho, quando o contrato de locação dos meus inquilinos terminar, eu volto pra minha casa “oficial”.

Outra mudança legal que ocorreu foi a de que comprei um Macbook e estou usando o OS X. Sim, eu praticamente abandonei o Linux. Criei até o bordão de que agora eu “Odeio Linux!” :) (mentira, óbvio).

Estou sofrendo pra me readaptar ao universo Apple. Readaptar porque eu já usei o MacOS 9 por anos seguidos nos PowerMacs 9100, 9500, 8100, etc. Naquela época o hardware era impressionante e o software horrível. Agora as coisas mudaram muito pra melhor. Por baixo da carinha bonita do OS X bate um coração Unix (BSD) e com isso eu tenho o melhor dos dois mundos: a praticidade de uma bela interface gráfica e um terminal com Vim e Python pra trabalhar :)

Também comprei outros tantos “brinquedinhos” eletrônicos pra mim tais como um N95 e um headset estéreo bluetooth também da Nokia entre outros que provavelmente serão alvos de algum review por aqui.

Detalhes maiores sobre as minhas últimas aventuras serão distribuídos no 9o. FISL em Porto Alegre entre os dias 17 e 19 de abril. Me esperem por lá.

Nota off-topic: Acabei de receber o livro Shell Script Profissional (site do livro) do meu amigo Aurélio. Ele me enviou de presente e com ele e mãos já deu pra perceber que a capa ficou show, o tamanho dele (480 páginas) dá uma cara de “obra definitiva” para o assunto e o acabamento e diagramação que a editora Novatec dá aos livros dela (que é padronizado) merecem vários elogios.

Ontem eu me aposentei da moderação da lista de discussões Python Brasil. Quem vai assumir o meu cargo vai ser o meu ajudante Pedro Werneck. E ele, por sua vez, será ajudado pelo recém “contratado” Andrews Medina.

Ferramenta de moderaçãoO ritual de passagem da ferramenta de moderação usada na Python Brasil já foi até concluído.

Quando comecei na lista éramos 134 assinantes e estamos com 2099 agora. Antes éramos só um grupo de amigos e entusiastas. Hoje continuamos amigos e entusiastas mas também somos associados de uma organização formal que vai ter muito mais força para levar adiante os nossos projetos.

Essa aposentadoria é um dos passos rumo à minha redução de atividades na comunidade Python Brasil e de Software Livre em geral. Notem que irei reduzir consideravelmente as minhas atividades mas sempre serei um entusiasta de Python e do Software Livre em geral.

Essa decisão também tem uma relação com a chegada dos meus trinta anos de idade e tomou a sua forma final durante as minhas últimas férias.

Quero diminuir o número de coisas que faço para poder fazer melhor algumas outras coisas que andavam meio abandonadas: cuidar da família, desenvolver um projeto de software que ocupa meus pensamentos há muitos anos e fazer o meu trabalho melhorar aqui na empresa.

Um a menos!

Se você é religioso direcione as suas rezas para o próximo alvo. Se não é (ou é ateu, agnóstico & afins), como eu, enviem sugestões de como poderíamos providenciar o despacho desse outro aí. E vamos rápido que a fila é looooonga.

Ao pessoal que acompanha esse blog por causa dos assuntos mais técnicos: prometo que já no próximo post voltamos à “programação normal”.

Vou pegar emprestado o bordão do meu colega de trabalho para expressar a minha atual insatisfação com o país onde moro.

Será um post mal-humorado com trechos onde todos irão concordar e trechos onde quase todos irão discordar. Tem até mesmo trechos ofensivos.

Adoro o país onde moro ao ponto de já ter recusado boas ofertas de trabalho fora dele simplesmente porque teria que deixar o único lugar do mundo onde sou um cidadão de “primeira classe”. Em qualquer outro país do mundo eu serei um cidadão de classe inferior pois não importa o bem que eu tenha feito para tal país eu nunca serei “filho legítimo” daquele lugar. País é igual a pai ou mãe: você não escolhe e tem que aceitá-lo para todo o sempre.

Mas o “jeitinho” brasileiro já está começando a me irritar. Os valores do brasileiro também estão sendo subvertidos ao extremo. A leniência, passividade, tranquilidade e preguiça brasileira passaram a ser qualidades em todas as situações. Somos atacados, humilhados, destratados, violentados e respondemos sempre com um “tudo bem” como se fizéssemos parte de um anúncio televisivo de automóveis.

Vou ilustrar com alguns fatos recentes tudo de ruim que o brasileiro tem.

Falta de educação

“Lula é vaiado durante a festa de abertura dos jogos Panamericanos do Rio de Janeiro”. Essa frase (manchete?) é uma aberração brasileira.

Lula é o *Presidente da República* do nosso país. Chefe supremo da nossa república. Bem ou mal foi eleito democraticamente pelos brasileiros. Pelos brasileiros burros e pelos inteligentes, pelos pobres e pelos ricos, pelos sem-terra e pelos latifundiários.

Como Presidente, Lula, deixou de ser o ex-sindicalista, ex-presidente-do-PT, ex-torneiro-mecânico, burro-que-não-sabe-falar, etc e passou a ser um símbolo do nosso país. Podia ser o FHC, o Sarney, o Collor, não importa porque o presidente de um país é o presidente de um país.

Em um evento nacional, dentro de nossa casa, onde se deve lavar a roupa suja, seria normal e até mesmo adequado vaiá-lo para demonstrar descontentamento, mas durante a apresentação de uma festa que está sendo acompanhada por toda a américa não é educado atacar um símbolo do país com vaias.

Eu não gosto quando vejo um casal brigando na minha frente em local público porque é constrangedor pra mim e deveria ser para o casal. Eles deveriam estar brigando dentro de sua casa onde somente as partes interessadas estarão presentes.

A vaia dos cariocas teve um efeito contrário pra mim. Fiquei com “dó” do presidente. Não foi “dó” do Lula, foi do presidente. Porque é triste ver um símbolo do meu país que se esforçou (junto com governadores, prefeitos, cariocas, …) para que aquela festa acontecesse ser vaiado na abertura dela.

Aliás, o carioca anda com o “vaiador” ligado e mostrando até mesmo para outros brasileiros como eles são “educados”: vaiavam insistentemente os atletas dos EUA durante as apresentações da ginástica artística. Fosse o atleta norte-americano tão mal-educado quanto o carioca ia quebrar todos os dentes dos infelizes que vaiavam usando algumas de suas medalhas de ouro como arma. São atletas como os brasileiros, que ‘ralam’ como os brasileiros, e que estão honestamente participando de uma disputa esportiva. Não vejo onde uma vaia possa se encaixar aí.

Mas voltando à frase…

Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro… A gente não precisava disso no Brasil. Sinto muito mas os R$X bilhões gastos praquilo lá sair do papel poderiam ter sido gastos lá no Complexo de favelas do Alemão.

Construindo umas escolas grandonas daquelas com Cinema, Teatro, Piscina, Quadras Poliesportivas, Salas de Computador, Bibliotecas, Professores bem remunerados, etc. Construindo delegacias de polícia lá no meio da favela para que a segurança daquelas pessoas fosse oferecida pelo estado e não pelo crime organizado.

Poderiam urbanizar outro bom número de favelas e disponibilizar água, esgoto, luz elétrica, etc para outros tantos moradores. Daria até para construir alguns centros de treinamento de ginástica, natação, etc. para transformar o Brasil numa futura potência esportiva.

Alguma coisa boa dos jogos vai ficar? Provavelmente sim, mas poderia ficar mais, não acham?

Corrupção

A corrupção desse país nasce do povo que é representado pelos seus governantes. Eu já não aguento mais ver na imprensa os chavões: “o brasileiro é honesto, mas os políticos”, ou “alguns poucos policiais corruptos sujam a imagem de toda a corporação”, ou “existem políticos honestos, é a minoria que é corrupta”. Me poupem dessa ladainha mentirosa porque o brasileiro é um povo corrupto. Os honestos são a exceção necessária para comprovar a regra e nem mesmo eu escapo impunemente em um julgamento.

O brasileiro é aquele que paga “caixinha” para o policial numa blitz de trânsito para escapar de uma multa maior. O policial é corrompido mas a outra ponta da “negociata” também foi corrupta. É a minoria?

Responda honestamente (se é que é possível um brasileiro responder assim): Você tem um carro que custou caro. É parado numa blitz e o guarda diz que vai guinchá-lo por causa do documento vencido a 1 dia. Mas antes ele te pergunta: “você poderia dar uma ‘ajudinha de custo’ aí?”. Você responderia “Pode guinchar o carro, eu estou errado”?

Mas o pior mesmo é que todo brasileiro justifica sua desonestidade com a desonestidade do vizinho! Preste atenção: todo cara que agiu de má fé tem uma justificativa para tal atitude. São coisas como “os políticos roubam, por que eu não?”, “se eu não fizer outros farão”, “o cara ia guinchar meu carro porque o documento estava vencido *só* a 1 dia!”, “meu salário é uma mixaria, por isso preciso da caixinha”, …

Se os políticos roubam é porque você não o elegeu corretamente ou não fiscalizou o trabalho dele direito. Se os outros vão ser desonestos se você não for é problema deles, não? Aliás, o correto seria denunciá-los por fazerem algo ilegal. Se o teu documento está vencido ha 1 dia ou 1 ano não muda o fato dele estar vencido. Ninguém é obrigado a ficar em um emprego onde se ganha pouco. Todos são livres pra procurar um emprego que pague melhor.

Se fizerem uma pesquisa por aqui perguntando se “corruptor” e “corrompido” devem ser presos em casos de corrupção eu acho que mandariamos o “corrompido” pra cadeia.

Tem-se a ilusão de que o “corruptor” é apenas uma vítma da situação. É sempre o “coitado do trabalhador que precisa do carro com documento vencido pra trabalhar”, o “coitado do comerciante que pagou uma caixinha pra Anvisa não fechar seu restaurante sujo e nojento pois é o ‘seu ganha pão’”, o “coitado que comprou um toca-fitas roubado porque roubaram o dele”, …

Achar culpado é coisa de incompetente

Não tem santo vivo no Brasil. Entre os mortos parece que só o “Frei Galvão” e nem assim eu colocaria minha mão no fogo pela sua honestidade.

Essa bagunça toda que virou o sistema aéreo brasileiro não é culpa apenas de um (o governo). Tem culpa de *todo mundo* nesse problema.

A “cabecinha” fraca dos brasileiros já encontrou os culpados porque achar culpado é fácil. Tão fácil que no mundo do trabalho os especialistas em achar culpados são conhecidos como “incompetentes”.

A “imprença” brasileira, retrato de seu povo, é extremamente “incompetente”. Acha culpados até onde não tem crime. Algumas revistas até inventam o crime para encaixar em seus culpados. É a imprensa que o brasileiro merece.

Os culpados pelo problema aéreo estão lá. Quer que eu cite o nome? Vamos lá: Anac (governo), Infraero (governo), Aeronáutica (governo), TAM (empresa privada), Gol (empresa privada), Dona do jatinho Legacy (empresa privada), …

Ok. Agora que temos os culpados, povo brasileiro, o que faremos para resolver o problema?

Brasileiros gritam em coro: — Não sabemos!

É isso mesmo! O brasileiro não sabe resolver problemas. Porque? Porque é incompetente.

Eu não sei resolver mesmo. A única coisa que sei sobre aeronáutica é embarcar e desembarcar de um vôo. Mas será que não tem um único brasileiro que saiba resolver esses problemas? Não tem.

Conclusão

Espero terminar a minha faculdade e aperfeiçoar o meu inglês e dar o fora daqui. Se encontrar problemas por lá (e vou encontrar) ao menos serão problemas novos porque os daqui já estão velhos, podres e sem o menor sinal de que serão resolvidos.

E ao escolher o destino irei mirar em terras onde os corruptos e incompetentes sejam minoria.